Re: [Solar-ovejafm] : Hermeto Pascoal libera toda su obra
El Martes, 7 de Abril de 2009 21:21, Martín Olivera escribió:
2009/4/7 Fabianne Balvedi <[email protected]>
---------- Forwarded message ---------- From: Adriano Belisário To: [email protected]
Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem rabiscar novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em pilhas de partituras. A única diferença para os tempos de criança é o papel. Na Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em rios, árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o “Beethoven do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta para rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí.”
E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.
Internet é um assunto até certo ponto desconhecido para Hermeto. Foi a parceira musical, espiritual e amorosa Aline Morena a fonte de influência digital do compositor. Quando começaram a namorar, em 2002, ela não se conformava que um artista do porte de Hermeto (referência internacional, inovador, vanguardista) não tivesse sequer um site próprio. Na lista de “desleixos” estava também a desorganização dos registros de músicas (que fez com que ele nunca ganhasse dinheiro com vendas de discos e CDs – só com shows).
Aline resolveu o problema da comunicação e criou quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela) e plantou na cabeça genial do compositor algumas sementes de cultura livre. Seria difícil o conceito não germinar. Em 1973, o visionário alagoano já batizava um álbum de A Música Livre de Hermeto Pascoal.
A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições. Um jargão famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um faz música com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as músicas dele são livres por natureza –, temos uma espécie de música de “código aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário de tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.
Isso tanto é transformador que a música livre evoluiu para o que hoje a dupla Hermeto Pascoal e Aline Morena chama de “música universal”. Nada a ver com a “world music” disseminada por aí, e que significa apenas a forma de as culturas dominantes globais aceitarem regionalismos como o brasileiro e o indiano, por exemplo. Música universal não é isso. É o que há de universal, primordial, anterior e essencial na música.
Hermeto e Aline não usam idiomas conhecidos para compor canções sob o estigma universal. É uma letra formada por palavras inventadas sob uma lógica própria, não necessariamente com significados. É a busca da dupla pela sonoridade, por fonemas que provocam sensações – cuja liberdade também inclui a de interpretação. Assim, a composição da música universal só termina no momento em que ressoa nos tímpanos.
Essa abordagem “alinguística” também faz parte das pesquisas mais avançadas hoje em artes cênicas. O diretor inglês Peter Brook chegou a algo parecido à música universal de Hermeto com o teatro rústico, nos anos 1970. Brook e os atores de diversas nacionalidades do Centre International de Recherche Théâ-trale (Cirt) parisiense passaram três meses de 1974 em tribos africanas para entender o que havia no teatro que se comunicava com qualquer cultura (gestos, sons, expressões, ritmos). A pesquisa fez avançar as descobertas contemporâneas de linguagem – equivalente ao que o brasileiro Hermeto fez na música.
A última criação organizada do compositor foi Chimarrão com Rapadura, CD e DVD de 2006 em dupla com Aline Morena. Imagine a dificuldade de selecionar 19 canções e melodias entre as centenas criadas diariamente. Nesse álbum, Hermeto toca cavaco, pandeiro, surdo, escaleta, piano com fita crepe, caixa, zabumba, triângulo, baixo, flauta doce, viola caipira, fole, flauta-baixo, percussão com teclas, flugelhorn, iefone, brinquedos, balde, garfo, faca, trumpetinho, chavozeleira, piano, porta, copos de plástico e mangueira. O detalhe é que nem tudo é instrumento.
Apesar da variedade de artefatos sonoros, Hermeto Pascoal não se encantou ainda pelos sons fabricados. Não há quase nada sintético na obra que já dura 53 anos, mesmo com a invasão de aparelhos eletrônicos dos últimos 30. “Nada contra esse tipo de música. Mas, para mim, os sons devem ser naturais. Têm mais sabor.”
Nascido na roça alagoana, ele morou mais de 20 anos em São Paulo, gravou nos Estados Unidos com Miles Davis, influenciou Beatles com o Quarteto Novo, é festejado por onde passa no mundo. Prega a música aberta. Hoje mora em Curitiba e nunca deixou de fugir do sol. A pele albina sofre, os olhos também. É só o que há de hermético em Hermeto Pascoal.
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15545
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-- Marcos Germán Guglielmetti www.idiomalibre.com
Uau!... un gigante aderindo a CC. Hay esperanza en el sigo XXI. Gracias por la nota. Gilberto --- Em dom, 12/4/09, marcos <[email protected]> escreveu: De: marcos <[email protected]> Assunto: [Musix-usuarios] Re: [Solar-ovejafm] : Hermeto Pascoal libera toda su obra Para: [email protected] Cc: "La lista de todos y todas en solar" <[email protected]>, "Lista de usuarios de Musix" <[email protected]> Data: Domingo, 12 de Abril de 2009, 19:45 El Martes, 7 de Abril de 2009 21:21, Martín Olivera escribió:
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Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem rabiscar novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em pilhas de partituras. A única diferença para os tempos de criança é o papel. Na Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em rios, árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o “Beethoven do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta para rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí.”
E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.
Internet é um assunto até certo ponto desconhecido para Hermeto. Foi a parceira musical, espiritual e amorosa Aline Morena a fonte de influência digital do compositor. Quando começaram a namorar, em 2002, ela não se conformava que um artista do porte de Hermeto (referência internacional, inovador, vanguardista) não tivesse sequer um site próprio. Na lista de “desleixos” estava também a desorganização dos registros de músicas (que fez com que ele nunca ganhasse dinheiro com vendas de discos e CDs – só com shows).
Aline resolveu o problema da comunicação e criou quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela) e plantou na cabeça genial do compositor algumas sementes de cultura livre. Seria difícil o conceito não germinar. Em 1973, o visionário alagoano já batizava um álbum de A Música Livre de Hermeto Pascoal.
A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições. Um jargão famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um faz música com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as músicas dele são livres por natureza –, temos uma espécie de música de “código aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário de tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.
Isso tanto é transformador que a música livre evoluiu para o que hoje a dupla Hermeto Pascoal e Aline Morena chama de “música universal”. Nada a ver com a “world music” disseminada por aí, e que significa apenas a forma de as culturas dominantes globais aceitarem regionalismos como o brasileiro e o indiano, por exemplo. Música universal não é isso. É o que há de universal, primordial, anterior e essencial na música.
Hermeto e Aline não usam idiomas conhecidos para compor canções sob o estigma universal. É uma letra formada por palavras inventadas sob uma lógica própria, não necessariamente com significados. É a busca da dupla pela sonoridade, por fonemas que provocam sensações – cuja liberdade também inclui a de interpretação. Assim, a composição da música universal só termina no momento em que ressoa nos tímpanos.
Essa abordagem “alinguística” também faz parte das pesquisas mais avançadas hoje em artes cênicas. O diretor inglês Peter Brook chegou a algo parecido à música universal de Hermeto com o teatro rústico, nos anos 1970. Brook e os atores de diversas nacionalidades do Centre International de Recherche Théâ-trale (Cirt) parisiense passaram três meses de 1974 em tribos africanas para entender o que havia no teatro que se comunicava com qualquer cultura (gestos, sons, expressões, ritmos). A pesquisa fez avançar as descobertas contemporâneas de linguagem – equivalente ao que o brasileiro Hermeto fez na música.
A última criação organizada do compositor foi Chimarrão com Rapadura, CD e DVD de 2006 em dupla com Aline Morena. Imagine a dificuldade de selecionar 19 canções e melodias entre as centenas criadas diariamente. Nesse álbum, Hermeto toca cavaco, pandeiro, surdo, escaleta, piano com fita crepe, caixa, zabumba, triângulo, baixo, flauta doce, viola caipira, fole, flauta-baixo, percussão com teclas, flugelhorn, iefone, brinquedos, balde, garfo, faca, trumpetinho, chavozeleira, piano, porta, copos de plástico e mangueira. O detalhe é que nem tudo é instrumento.
Apesar da variedade de artefatos sonoros, Hermeto Pascoal não se encantou ainda pelos sons fabricados. Não há quase nada sintético na obra que já dura 53 anos, mesmo com a invasão de aparelhos eletrônicos dos últimos 30. “Nada contra esse tipo de música. Mas, para mim, os sons devem ser naturais. Têm mais sabor.”
Nascido na roça alagoana, ele morou mais de 20 anos em São Paulo, gravou nos Estados Unidos com Miles Davis, influenciou Beatles com o Quarteto Novo, é festejado por onde passa no mundo. Prega a música aberta. Hoje mora em Curitiba e nunca deixou de fugir do sol. A pele albina sofre, os olhos também. É só o que há de hermético em Hermeto Pascoal.
http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=15545
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Gilberto
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Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem rabiscar novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em pilhas de partituras. A única diferença para os tempos de criança é o papel. Na Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em rios, árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o “Beethoven do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta para rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí.”
E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro, abriu mão das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer músico todas as composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete disponibilizar parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para download gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.
Internet é um assunto até certo ponto desconhecido para Hermeto. Foi a parceira musical, espiritual e amorosa Aline Morena a fonte de influência digital do compositor. Quando começaram a namorar, em 2002, ela não se conformava que um artista do porte de Hermeto (referência internacional, inovador, vanguardista) não tivesse sequer um site próprio. Na lista de “desleixos” estava também a desorganização dos registros de músicas (que fez com que ele nunca ganhasse dinheiro com vendas de discos e CDs – só com shows).
Aline resolveu o problema da comunicação e criou quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela) e plantou na cabeça genial do compositor algumas sementes de cultura livre. Seria difícil o conceito não germinar. Em 1973, o visionário alagoano já batizava um álbum de A Música Livre de Hermeto Pascoal.
A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições. Um jargão famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um faz música com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as músicas dele são livres por natureza –, temos uma espécie de música de “código aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário de tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.
Isso tanto é transformador que a música livre evoluiu para o que hoje a dupla Hermeto Pascoal e Aline Morena chama de “música universal”. Nada a ver com a “world music” disseminada por aí, e que significa apenas a forma de as culturas dominantes globais aceitarem regionalismos como o brasileiro e o indiano, por exemplo. Música universal não é isso. É o que há de universal, primordial, anterior e essencial na música.
Hermeto e Aline não usam idiomas conhecidos para compor canções sob o estigma universal. É uma letra formada por palavras inventadas sob uma lógica própria, não necessariamente com significados. É a busca da dupla pela sonoridade, por fonemas que provocam sensações – cuja liberdade também inclui a de interpretação. Assim, a composição da música universal só termina no momento em que ressoa nos tímpanos.
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A última criação organizada do compositor foi Chimarrão com Rapadura, CD e DVD de 2006 em dupla com Aline Morena. Imagine a dificuldade de selecionar 19 canções e melodias entre as centenas criadas diariamente. Nesse álbum, Hermeto toca cavaco, pandeiro, surdo, escaleta, piano com fita crepe, caixa, zabumba, triângulo, baixo, flauta doce, viola caipira, fole, flauta-baixo, percussão com teclas, flugelhorn, iefone, brinquedos, balde, garfo, faca, trumpetinho, chavozeleira, piano, porta, copos de plástico e mangueira. O detalhe é que nem tudo é instrumento.
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Que buena la noticia!! Tengo que escuchar algo de Hermeto, voy a empezar ahora, que tambien me puse a escuchar a Sun ra y otros "locos" jazzeros/experimentales. Sobre este tema, si bien me parece copado, de echo tambien me gusto que Nine Inch Nails, siendo una banda grande internacional liberaran contenido CC, no lo considero como algo a lo que se debe alcanzar, que todo este bajo CC. Me parece que podrian coexistir las dos formas de derechos. No veo como algo malo que un artista no quiera ceder los derechos sobre su obra, eso va con cada uno. -- JM
Buenisimo lo de Hermeto!!! Esto significa que vamos a poder acceder a sus partituras? 2009/4/13 jm jones <[email protected]>
2009/4/13 Gilberto Borges <[email protected]>:
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Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem rabiscar novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em pilhas de partituras. A única diferença para os tempos de criança é o papel. Na Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em rios, árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o “Beethoven do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta para rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas soltas, estão voando por aí.”
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Aline resolveu o problema da comunicação e criou quatro sites, um para cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo, orquestras sinfônicas e para o duo com ela) e plantou na cabeça genial do compositor algumas sementes de cultura livre. Seria difícil o conceito não germinar. Em 1973, o visionário alagoano já batizava um álbum de A Música Livre de Hermeto Pascoal.
A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições. Um jargão famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um faz música com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as músicas dele são livres por natureza –, temos uma espécie de música de “código aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário de tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.
Isso tanto é transformador que a música livre evoluiu para o que hoje a dupla Hermeto Pascoal e Aline Morena chama de “música universal”. Nada a ver com a “world music” disseminada por aí, e que significa apenas a forma de as culturas dominantes globais aceitarem regionalismos como o brasileiro e o indiano, por exemplo. Música universal não é isso. É o que há de universal, primordial, anterior e essencial na música.
Hermeto e Aline não usam idiomas conhecidos para compor canções sob o estigma universal. É uma letra formada por palavras inventadas sob uma lógica própria, não necessariamente com significados. É a busca da dupla pela sonoridade, por fonemas que provocam sensações – cuja liberdade também inclui a de interpretação. Assim, a composição da música universal só termina no momento em que ressoa nos tímpanos.
Essa abordagem “alinguística” também faz parte das pesquisas mais avançadas hoje em artes cênicas. O diretor inglês Peter Brook chegou a algo parecido à música universal de Hermeto com o teatro rústico, nos anos 1970. Brook e os atores de diversas nacionalidades do Centre International de Recherche Théâ-trale (Cirt) parisiense passaram três meses de 1974 em tribos africanas para entender o que havia no teatro que se comunicava com qualquer cultura (gestos, sons, expressões, ritmos). A pesquisa fez avançar as descobertas contemporâneas de linguagem – equivalente ao que o brasileiro Hermeto fez na música.
A última criação organizada do compositor foi Chimarrão com Rapadura, CD e DVD de 2006 em dupla com Aline Morena. Imagine a dificuldade de selecionar 19 canções e melodias entre as centenas criadas diariamente. Nesse álbum, Hermeto toca cavaco, pandeiro, surdo, escaleta, piano com fita crepe, caixa, zabumba, triângulo, baixo, flauta doce, viola caipira, fole, flauta-baixo, percussão com teclas, flugelhorn, iefone, brinquedos, balde, garfo, faca, trumpetinho, chavozeleira, piano, porta, copos de plástico e mangueira. O detalhe é que nem tudo é instrumento.
Apesar da variedade de artefatos sonoros, Hermeto Pascoal não se encantou ainda pelos sons fabricados. Não há quase nada sintético na obra que já dura 53 anos, mesmo com a invasão de aparelhos eletrônicos dos últimos 30. “Nada contra esse tipo de música. Mas, para mim, os sons devem ser naturais. Têm mais sabor.”
Nascido na roça alagoana, ele morou mais de 20 anos em São Paulo, gravou nos Estados Unidos com Miles Davis, influenciou Beatles com o Quarteto Novo, é festejado por onde passa no mundo. Prega a música aberta. Hoje mora em Curitiba e nunca deixou de fugir do sol. A pele albina sofre, os olhos também. É só o que há de hermético em Hermeto Pascoal.
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El Martes, 14 de Abril de 2009 04:45, Pablo Romero escribió:
Buenisimo lo de Hermeto!!! Esto significa que vamos a poder acceder a sus partituras?
no lo sé, supongo que si liberó todas las obras deberían ser libres las partituras también... calculo que habrá algunas en internet... no sé, habría que hacer una búsqueda profunda
2009/4/13 jm jones <[email protected]>
2009/4/13 Gilberto Borges <[email protected]>:
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Gracias por la nota.
Gilberto
--- Em dom, 12/4/09, marcos <[email protected]> escreveu:
De: marcos <[email protected]> Assunto: [Musix-usuarios] Re: [Solar-ovejafm] : Hermeto Pascoal libera
toda
su obra Para: [email protected] Cc: "La lista de todos y todas en solar" <[email protected]>, "Lista de usuarios de Musix" <[email protected]> Data: Domingo, 12 de Abril de 2009, 19:45
El Martes, 7 de Abril de 2009 21:21, Martín Olivera escribió:
2009/4/7 Fabianne Balvedi <[email protected]>
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Hermeto Pascoal tem 72 anos e não passa mais de 24 horas sem
rabiscar
novas combinações de notas musicais e símbolos de percussão em
pilhas de
partituras. A única diferença para os tempos de criança é o
papel. Na
Alagoas dos anos 30, o pequeno Hermeto já compunha todo dia, em
rios,
árvores, na companhia dos passarinhos. Curiosamente, porém, o
“Beethoven
do século 20” (como o define o acordeonista Sivuca) nunca volta
para
rever as tais notas escritas. “Minhas músicas são pétalas
soltas, estão
voando por aí.”
E, assim, Hermeto deixou suas pétalas ao vento. Desde novembro,
abriu mão
das licenças pela internet e liberou para uso de qualquer
músico todas as
composições registradas em seu nome. Nesta semana, promete
disponibilizar
parte da imensa e riquíssima discografia (são 34 álbuns) para
download
gratuito, num processo que chegará em alguns meses à totalidade da produção formal.
Internet é um assunto até certo ponto desconhecido para Hermeto.
Foi a
parceira musical, espiritual e amorosa Aline Morena a fonte de
influência
digital do compositor. Quando começaram a namorar, em 2002, ela não
se
conformava que um artista do porte de Hermeto (referência
internacional,
inovador, vanguardista) não tivesse sequer um site próprio. Na
lista de
“desleixos” estava também a desorganização dos registros de
músicas (que
fez com que ele nunca ganhasse dinheiro com vendas de discos e CDs
– só
com shows).
Aline resolveu o problema da comunicação e criou quatro sites, um
para
cada tipo de apresentação de Hermeto (com a Big Band, o Grupo,
orquestras
sinfônicas e para o duo com ela) e plantou na cabeça genial do
compositor
algumas sementes de cultura livre. Seria difícil o conceito não
germinar.
Em 1973, o visionário alagoano já batizava um álbum de A Música
Livre de
Hermeto Pascoal.
A ideia de liberdade já estava desde então algo relacionada com a disseminação, a distribuição, a pulverização das composições.
Um jargão
famoso de Hermeto é a frase “tudo é música”. Se qualquer um
faz música
com qualquer coisa (objetos, plantas, voz, etc.) – e portanto as
músicas
dele são livres por natureza –, temos uma
espécie de música de “código
aberto”, colaborativa, termos comuns para leitores do noticiário
de
tecnologia e que desapareceram da música comercial antes do MP3.
Isso tanto é transformador que a música livre evoluiu para o que
hoje a
dupla Hermeto Pascoal e Aline Morena chama de “música
universal”. Nada a
ver com a “world music” disseminada por aí, e que significa
apenas a
forma de as culturas dominantes globais aceitarem regionalismos como
o
brasileiro e o indiano, por exemplo. Música universal não é isso.
É o que
há de universal, primordial, anterior e essencial na música.
Hermeto e Aline não usam idiomas conhecidos para compor canções
sob o
estigma universal. É uma letra formada por palavras inventadas sob
uma
lógica própria,
não necessariamente com significados. É a busca da dupla
pela sonoridade, por fonemas que provocam sensações – cuja
liberdade
também inclui a de interpretação. Assim, a composição da música
universal
só termina no momento em que ressoa nos tímpanos.
Essa abordagem “alinguística” também faz parte das pesquisas
mais
avançadas hoje em artes cênicas. O diretor inglês Peter Brook
chegou a
algo parecido à música universal de Hermeto com o teatro rústico,
nos
anos 1970. Brook e os atores de diversas nacionalidades do Centre International de Recherche Théâ-trale (Cirt) parisiense passaram
três
meses de 1974 em tribos africanas para entender o que havia no teatro
que
se comunicava com qualquer cultura (gestos, sons, expressões,
ritmos). A
pesquisa fez
avançar as descobertas contemporâneas de linguagem –
equivalente ao que o brasileiro Hermeto fez na música.
A última criação organizada do compositor foi Chimarrão com
Rapadura, CD
e DVD de 2006 em dupla com Aline Morena. Imagine a dificuldade de selecionar 19 canções e melodias entre as centenas criadas
diariamente.
Nesse álbum, Hermeto toca cavaco, pandeiro, surdo, escaleta, piano
com
fita crepe, caixa, zabumba, triângulo, baixo, flauta doce, viola
caipira,
fole, flauta-baixo, percussão com teclas, flugelhorn, iefone,
brinquedos,
balde, garfo, faca, trumpetinho, chavozeleira, piano, porta, copos de plástico e mangueira. O detalhe é que nem tudo é instrumento.
Apesar da variedade de artefatos sonoros, Hermeto Pascoal não se
encantou
ainda pelos sons
fabricados. Não há quase nada sintético na obra que já
dura 53 anos, mesmo com a invasão de aparelhos eletrônicos dos
últimos
30. “Nada contra esse tipo de música. Mas, para mim, os sons devem
ser
naturais. Têm mais sabor.”
Nascido na roça alagoana, ele morou mais de 20 anos em São Paulo,
gravou
nos Estados Unidos com Miles Davis, influenciou Beatles com o
Quarteto
Novo, é festejado por onde passa no mundo. Prega a música aberta.
Hoje
mora em Curitiba e nunca deixou de fugir do sol. A pele albina sofre,
os
olhos também. É só o que há de hermético em Hermeto Pascoal.
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Que buena la noticia!! Tengo que escuchar algo de Hermeto, voy a empezar ahora, que tambien me puse a escuchar a Sun ra y otros "locos" jazzeros/experimentales. Sobre este tema, si bien me parece copado, de echo tambien me gusto que Nine Inch Nails, siendo una banda grande internacional liberaran contenido CC, no lo considero como algo a lo que se debe alcanzar, que todo este bajo CC. Me parece que podrian coexistir las dos formas de derechos. No veo como algo malo que un artista no quiera ceder los derechos sobre su obra, eso va con cada uno.
-- JM
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